Criador do “Tropa de Elite” assusta ao falar de Temer, Renan e a impunidade > Veja >


Folha – “Tropa de Elite 2” termina com a impunidade de um governador. A semana passada acabou com dois ex-governadores do Rio presos. Hoje reavalia o prognóstico?
José Padilha – “Tropa de Elite 2” termina com uma tomada aérea do Congresso e um discurso do Capitão Nascimento alertando que não era só no Rio que havia corrupção sistêmica, mas no país como um todo. Não era um prognóstico, era uma constatação. Hoje vemos o PMDB, sob a batuta de Temer e Renan, lutando com afinco para garantir a impunidade dos operadores da corrupção sistêmica em texto constitucional. Talvez, no fim, a impunidade saia vencedora.

Cabral e Garotinho são acusados por fatos que não envolvem a segurança pública. Se fizesse o filme hoje, trataria das outras formas de financiamento da corrupção?
Um filme, para funcionar, precisa ter foco narrativo. O do “Tropa de Elite 2” era sobre corrupção e segurança pública.

Cabral foi preso na Lava Jato, que você pretende transformar em série para a Netflix. Em que pé isso está?
Estamos escrevendo o roteiro dos oito primeiros capítulos e iniciaremos as filmagens no ano que vem. A série será lançada em todo o mundo. É só o que posso contar no momento.

A Lava Jato tem acumulado críticas como a de que é excessiva em prisões provisórias. Pretende abordar esses dilemas e contradições?
Vamos abordar a Lava Jato da forma mais completa e isenta possível.

Críticas a “Narcos” diziam respeito aos riscos de ver Pablo Escobar sob luz favorável. Não crê que a série pode contribuir para endeusar a figura controversa do juiz Sergio Moro?
A pergunta assume tacitamente a premissa de que Moro é uma figura controversa. Não sei se “ser controverso” é de fato uma propriedade de Sergio Moro. Acho que “ser controverso” é, antes de mais nada, uma propriedade de qualquer pessoa que ofereça risco real ao PT e ao Lula.

“Tropa de Elite” traz como personagens pessoas públicas que são reconhecíveis. Pretende lançar mão do mesmo expediente na série?
Os cargos públicos identificam seus ocupantes.

O governo do Rio enfrenta uma crise, atribuída às gestões do PMDB. Parte da elite deu apoio a Cabral por confiar no projeto das UPPs. Acredita que o ex-governador foi protegido por esses setores?
Boa parte da mídia e do empresariado carioca fez vista grossa para a roubalheira do Cabral por acreditar nas UPPs, assim como boa parte da esquerda e da mídia brasileira fez vista grossa para o mensalão e para [a compra da Refinaria de] Pasadena por acreditar no PT. No Brasil, a miopia é generalizada, não tem ideologia.

Com informações da folha uol

Para ler mais http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2016/11/1834296-ser-contra-a-lava-jato-e-fazer-jogo-da-direita-diz-cineasta-jose-padilha.shtml

Faça Parte, Acompanhe:

Participe! Deixe seu Comentário, Curta e Compartilhe

Deixe um comentário

avatar
  Subscribe  
Notify of