Pensavam que a lava-jato era contra o PT mas é contra a corrupção diz Dallagnol


“A Operação Lava Jato deu certo, porque o poder político estava sem unidade. Nós vivíamos em um governo que estava fragilizado, e muitos que estavam na oposição viram uma oportunidade, não dando apoio ao governo do PT e pensando que nós estávamos investigando o PT, não a corrupção.

 

Quando perceberam, a investigação ganhou força e já era tarde para eles se unirem. Agora, estamos vivenciando uma unidade das forças políticas e a [Operação] está em situação de perigo real”, explanou.

Mencionando diversas operações de combate ao crime na política realizadas no país, Pozzobon afirmou que os exemplos mostram que a corrupção acompanha o Brasil há muito tempo. E a Lava Jato, para que seja considerada, de fato, um caso positivo, precisa contribuir ainda mais. “Já passou da hora de resolver o problema [da corrupção] de forma sistêmica, para que não retorne e se punam as pessoas, mas não só dos baixos escalões”, avaliou.

O fato de a Lava Jato e outras grandes investigações incomodarem pessoas de alta relevância para o país – tanto no cenário político quanto econômico – a coloca sempre em risco, na opinião dos procuradores. “Esses grandes atores têm grande influência no conteúdo da lei, que pode ser usada para punir as pessoas. E eles também têm influência sobre quem aplica a lei. As pessoas poderosas politicamente têm influência direta e indireta sobre os rumos do país”, afirmou Dallagnol.

Os riscos aos quais a operação está exposta

Ao comentarem sobre as dificuldades encontradas pela Lava Jato, os procuradores citaram a tentativa de alguns entes políticos de retirar força institucional dos órgãos. Como exemplo, Deltan Dallagnol afirmou que a Polícia Federal está “sem energia e sem tempo” para investir em novas investigações. “Precisamos cobrar do Estado e do governo uma posição a esse respeito”, diz.

Pozzobon incluiu a opinião pública entre as maneiras de pressionar o Estado. “Nós não podemos pecar pela omissão, deixar a coisa se esvair e deixar de acreditar nas mudanças. Isso precisa se dar institucionalmente e com o apoio popular”, avisa.

Segundo os procuradores, além das dificuldades institucionais, eles enfrentam obstáculos relacionados à ética de suas atitudes. Citaram, por exemplo, a tentativa do Congresso de aprovar uma lei de abuso de autoridade e a disseminação de “rótulos” depreciativos que eles vêm recebendo nas redes sociais.

“As pessoas querem crer em alguns casos, parece mais importante do que a verdade”, diz Lima a respeito do rótulo de “jacobino”.

Para Dallagnol, ser chamado de “messiânico” é um ataque à sua credibilidade como procurador. “Me acusam de messiânico em razão de minha fé cristã, atribuindo a pecha de irracionalidade”, ressalta.

Proximidade das eleições

A proximidade das eleições também é algo que preocupa a Força-Tarefa da Lava Jato, especialmente em um momento no qual o apoio popular se reduziu. “Percebemos um certo cansaço da população. Muitos que acreditavam que era uma investigação contra o PT não nos apoiam mais, outros querem que a economia melhore, mas, sem o combate à corrupção, vamos vivenciar esta crise novamente. É o momento da unidade, apesar do cansaço”, analisou Lima.

De acordo com Pozzobon, as eleições geram a oportunidade para o que ele define como “discurso do marco zero”, em uma reação ao estresse gerado contra os agentes políticos e econômicos por meio da investigação. “É preciso ter muito cuidado com esse discurso de que vamos anistiar a corrupção e seguir em frente, porque o país precisa se desenvolver. Se aceitarmos isso, estaremos aceitando o retrocesso, que vai nos colocar em uma situação pior do que a atual”, diz.

As delações premiadas

Questionados sobre a benevolência de alguns acordos de delação premiada, os procuradores evitaram fazer críticas públicas à Procuradoria-Geral da República. Para Lima, a delação precisa gerar um efeito multiplicador dentro de uma mesa de negociação: quanto mais a investigação tem interesse em uma informação, maior a moeda de troca do delator. “Nós temos que respeitar a posição da mesa de negociação. Vemos acordos que eu mesmo não concordo, mas foi o acordo possível naquele momento”, diz Lima.

No entanto, a delação, de acordo com o procurador, precisa gerar uma situação de instabilidade dentro da organização criminosa. “Uma colaboração gera um efeito dominó, que gera outra delação, que cria uma situação de insegurança nas organizações criminosas. É algo difícil de compreender: é uma lógica de mercado aplicada ao processo penal – porque são criminosos que ganham benefícios”, explicou Lima.

Por outro lado, Dallagnol reconheceu que a saída de colaboradores da prisão ou o cumprimento de penas em regimes semiabertos ou domiciliar não agrada a Força-Tarefa. “Só fazemos quando é absolutamente necessário para conseguir provas e informações contra um grande número de pessoas de igual ou maior importância. Se tivéssemos um sistema com penas altas, conseguiríamos penas maiores”, avaliou o coordenador da Força-Tarefa.

com informações do uol notícias

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